27 urubus ao pôr do sol
Alergia
O cachimbo
"Adio Justina"
 
  01 02
   

"Adio Justina"

não era por
causa do vinho
ele era meio doido, mas
não era também de doença
nem de ruindade.
justina sim, é que era o diabo,
tinha que comer
na mão dela,
a vida inteira foi assim,
mas ele era meio adoidado.
tiveram uma briga feia
ele queria
virar galo mas ela achava que já era
meio tarde.
ele não agüentava mais
aquela vida no
mato, aquela pobreza,
e também não queria mais justina.
então resolveu construir um
par de asas e voar embora
demorou um dia pra projetar
e três pra construir
mas por fim
estava
terminado
e ele estava se mandando
pra longe.
no chão ensaiou o vôo
seu braços
eram fortes.
asas de couro de boi
com armação
de bambu e madeira e arames,
boa flexibilidade
não muito pesadas nem
grandes demais.
os vizinhos vieram ver o
doido.
justina olhava da janela da cozinha.
era o fim do dia
o sol se punha
ele subiu no telhado do chiqueiro
não olhou para trás
ele estava indo embora
voando
bateu as asas com força
e saiu
na corrida
por cima do telhado.
era aquela barulheira de asas batendo e telhas
quebrando.
e gritou, "adio justina" e saltou
e se foi.
justina deixou a janela
e foi
fazer a janta.
os vizinhos voltaram
para suas
casas
e suas pequenas vidas.