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27 urubus ao pôr do sol
Os abutres já perseguem
minha moribunda carcaça
todo final de tarde vêm
à janela de meu quarto
com seus olhares indecisos e suspeitos
seus passos imprecisos meio mancos
aguardam
meus olhos em suas goelas
minha carne escassa em seus bicos
vinte e sete urubus pousaram sobre minha sorte
sete quedas, vinte cortes
uma vida quase sombra e um milhão de mortes
as moscas verdes já tentam entrar em minha boca
os vermes se agitam em meu intestino grosso
os carrapatos e as sanguessugas disputam espaço
e todas as pragas
a serviço da morte
em vigília atentos ao sinal
de meu último círculo metafísico
meu derradeiro gemido
esse pôr de sol
Sigval Jidson Shaitel
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