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Nem todos somos Cazuza
   

Nem todos somos Cazuza


Deveríamos num minuto de lucidez, olhar a vida pela funesta janela da morte. Viver sempre é um jogo de ilusões descabidas, sem nexo, e se nos vermos encurralados pela morte corremos para desesperadamente tentar entender esse jogo, (pelo menos os mais sábios) então vamos procurar ajuda pelo nosso atraso e desleixo, lendo à Bíblia, Kardec : Uma prega que os nossos pecados, serão perdoados com três Ave Marias, quatro Pai Nossos, e ficaremos a espera de julgamento , outro, ensina que vivendo ou não, pecando ou não, teremos uma outra chance de reencarnar e começar tudo novamente !

Nem tanto a Deus, nem tanto ao Diabo, mas sempre aos dois .ora olharmos o belo, e ora vivermos o inferno. Bom rir, mas também é bom chorar !

Teríamos que morrer vivendo : deveríamos ouvir um Blues, desejar Nabokov, escutar Camões ler uma música de Jobim, rir da hipocrisia alheia e amar, ah amar... nossa derrota está no amor, nossas maiores agonias provem do coração -- perdemos sempre-- não entendemos o sexo, mas entendemos o dinheiro, tememos a vida e não aceitamos a morte.

A eterna poesia da sobrevivência... aprender a morrer com dignidade, é viver com sabedoria, porque para morrer com dignidade, precisamos viver, e viver do presente, ter liberdade, soltar as amarras, despojando-nos de qualquer preconceito, mas para isso precisamos acima de tudo, nos aceitarmos, nos amarmos e nos fazermos entender, Dialogarmos com nosso companheiro (ra) mas próximo : eu sou assim, tentarei mudar, mas não prometo nada !

Não prometer nada é uma coisa muito sabia, liberdade condicionada não é liberdade, temos que andar nas nuvens.... um pouquinho; gozar e gemer de amor... um tantão, rasgar a alma, crescer nos horizontes da filosofia, nos aprofundarmos junto com Bob Tobem, Fred Alan, Éliphas Levi, Stephen Hawking, Stanley Kubrik, maluquecer com Raul Seixas, e ter um Cazuza no coração . Nos recolhermos no profundo da noite, e nascermos todos os dias junto com o Sol.
Tarefa nada fácil, mas olhar a vida , pela janela da morte, é lembrar que essa vida tem fim, é tão breve, e não pode também ser vazia. Preenche-la com sabedoria é nossa verdade, não importa se sua sabedoria não seja idêntica a minha, somos seres diferentes , devemos aprender uns com os outros, e não cobrar uns dos outros.

Enfim, na gíria e para quebrar com a seriedade : muito ‘’Sexo, Droga e Rock’n Rol’’ , afinal, nunca saberemos se é um pássaro ou um avião que entrará pela nossa janela !

ALESSANDRAG.
Escritora
29/10/01