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O jantar
a sensação era de que nada tinha gosto ou fazia sentido e era apenas sensação porque se diziam coisas e se comia com muito apetite via suas mandíbulas movendo e dentro das bocas as línguas em rápidos movimentos e câmbios deglutinadores pelas gargantas descia aquela massa triturada e subia algo como arrotos que deviam ser sonoros mas eu não podia ouvir e as línguas trabalhavam essa coisa que devia ser um arroto sonoro como que para lhe dar forma eu estava mudo para o mundo e não podia ouvir o que estava em meu prato não fazia sentido tentei enfiar na boca, mas me caiu de volta não conseguia cortar em pedaços pequenos como eles faziam e fiz que não com a cabeça quando me olharam espantados não sabia mais fazer aquilo então levantei o guardanapo branco à boca fechei os olhos e tentei cuspir a baba mas ela apenas escorreu lenta a sensação que eu tinha era de que quase tudo era impossível tive medo de derrubar o copo, então pensei em beber direto da garrafa mas tive medo também, porque alguém com certeza estaria a recriminar-me a baba parou de escorrer e baixei o guardanapo fiz que não com a cabeça para que entendessem que não tinha fome então o garçom recolheu meu prato.
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