O banquete
cortei-lhe parte da orelha porque orelhas não sentem dor e as servia aos cães – eles acusavam grande apetite e devoraram com delicadeza e bons modos
magnific – exclamaram ao final do banquete e todos batemos palmas e tecemos elogios todos já nos acostumamos ao sacrifício que se tornou dever e motivo de honra
os teóricos discutem exaltados os estudiosos elaboram maravilhosas teorias nós cortadores juramentados nos especializamos no exterior e há publicações das mais variadas com belíssimas ilustrações coloridas
há escritos sagrados e associações de orelhudos-livres rituais e receitas, referendos e aplausos, muitos aplausos e a cada mudança de lua há um banquete com orador, bailarinos e atores malabaristas
no entanto só os ilustres e bem-aventurados podem servir-se aos cães e são reconhecidos aplaudidos e sabujados quando passam na rua porque facilmente se percebe suas orelhas mutiladas.
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